Geuderson Traspadini Marchiori. Crédito: Arquivo Pessoal

O secretário executivo do Instituto de Engenharias Integradas (IEI) da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), campus de Itabira, Geuderson Traspadini Marchiori, publicou recentemente o livro “A Linguagem de Camaco – Aquilombamento Linguístico”. A pesquisa tem como objetivo principal promover o conhecimento a respeito da “Linguagem de Camaco”, um dialeto próprio de Itabira, e o que ela representa como patrimônio imaterial para o município os itabiranos ainda na cidade, ou aqueles que já estão em outros lugares.

Com trechos de falas dos entrevistados, e o resultado da pesquisa etnográfica desenvolvida pelo autor, aponta que o livro estabelece relações críticas entre a linguagem e questões como identidade, memória, resistência e reexistência. A “Linguagem de Camaco” é uma forma de expressão oral historicamente desenvolvida pelos nativos, e consiste na mudança dos fonemas das sílabas, trocando de posição na expressão. A criação deste suposto “novo idioma” teve resistência em relação à chegada dos europeus.

Crédito: Arquivo Pessoal

Os ingleses usando de sua língua própria, além de dificultar o entendimento, ainda tinha a comunicação evitada pelos nativos, quando o assunto não poderia chegar aos visitantes. Segundo o autor, tomando a linguagem como forma de ação no mundo e como campo de batalhas em que grupos diversos se comunicam, e estabelecem fronteiras para defenderem os interesses e suas necessidades. Na obra, o leitor ainda encontrará registros dos mecanismos linguísticos evoluídos para a época.

“O texto apresenta o protagonismo afrodiaspórico (abordagem teórico-metodológica) no contexto e na exploração mineral realizada pelos estrangeiros, cujos interesses nem sempre se alinhavam com os dos nativos,” revela Geuderson Marchiori. A “Linguagem de Camaco” apresenta uma nova perspectiva oral. Sua longevidade está relacionada ao possível uso dos falantes ao longo da sua existência, como ferramenta irreverente e genial criada por aqueles cuja resistência significa sobrevivência.

Foto panorâmica de Itabira

Com o livro o autor propõe o reconhecimento da “Linguagem do Camaco (Macaco)” em um espaço linguístico de aquilombamento. Geuderson é bacharel em Letras, habilitado como Secretário Executivo Trilíngue pela Universidade Federal de Viçosa (UFV); especialista em Ensino de Língua Portuguesa e Estrangeira, pela Faculdade Internacional de Curitiba (Facinter); mestre em Letras e Estudos da Linguagem, pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), e cursa licenciatura em Português e Inglês.

Reportagem: Euclides Éder

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