Fonte: Freepik

Diagnósticos de câncer são sempre difíceis para o paciente e suas famílias, principalmente em casos de tumores infantojuvenis. Pensando nisso, o Dia Internacional do Câncer na Infância, lembrado em 15 de fevereiro, traz uma importante mensagem: os pais precisam ficar atentos aos sinais e sintomas, buscando apoio especializado em caso de suspeita, para que a detecção da doença aconteça de maneira precoce e precisa. Considerada a primeira causa de morte por doença em crianças (8%), e a segunda causa de óbito em geral, o câncer infantojuvenil responde por 7930 novos diagnósticos a cada ano, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para o triênio 2023-2025.

“Comparados com casos em adultos, os tumores na infância são muito mais agressivos e evoluem com maior velocidade. Em contrapartida, a resposta às terapias costuma ser muito mais rápido, o que faz com que a maioria dos casos de câncer infantil seja curável desde que haja o diagnóstico precoce e a criança seja prontamente encaminhada aos cuidados de uma equipe preparada para lidar com as especificidades da doença nos mais jovens,” explica o Dr. Sidnei Epelman, líder da especialidade de Oncopediatria da Oncoclínicas. Para a faixa etária até 19 anos estão entre os tipos mais comuns: leucemia, linfoma e tumores do sistema nervoso central.

Apesar dessa classificação, vale lembrar que essas doenças se diferenciam dos casos em adultos. Há uma série de tumores mais raros, identificados exclusivamente nos primeiros anos de vida, como o retinoblastoma, que exige atenção para que não passe despercebido. “É essencial destacar que os mais jovens tendem a ter respostas mais positivas aos tratamentos. O importante é garantir que tenham uma linha de cuidado que contempla não só esse olhar para o câncer, como também para a pluralidade de desafios que a fase de crescimento representa, garantindo a essas crianças e adolescentes as condições para se desenvolverem de forma plena em todos os sentidos”, enfatiza o Oncopediatra.

O especialista reforça ainda que a jornada de combate ao câncer infantojuvenil contempla a realização de terapias em centros especializados, dedicados ao tratamento de tumores pediátricos, a utilização de protocolos cooperativos e uma linha de cuidados de suporte, essencial para garantir um olhar plural para as necessidades de pacientes, que estão ainda em fase de transformação e desenvolvimento, tanto físico quanto emocional. “Os oncologistas pediátricos atuam, assim, em conjunto e integrados a equipes multidisciplinares, que contam com a colaboração de cirurgiões, radioterapeutas, patologistas, hematologistas, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas, entre outros profissionais,” disse o médico da Oncoclínicas.

Nas últimas décadas, o tratamento e as técnicas de diagnóstico evoluíram muito, pautados também pelo maior conhecimento dos mecanismos genéticos que levam ao surgimento da doença. “Quando falamos de câncer infantil, estamos nos referindo a um número grande de doenças, que são muito diferentes entre si. Até meados dos anos 1970, crianças e adolescentes com neoplasias recebiam o mesmo tratamento que os adultos, apesar de possuírem características biológicas e orgânicas bem distintas. Hoje, o cenário é bem diferente, com linhas de cuidado específicas para essa parcela dos pacientes, o que garante mais sucesso nos resultados”, diz Sidnei Epelman.

Nesse sentido, as ferramentas, tecnologias e inovações da Medicina de Precisão visam exatamente uma maior assertividade e efetividade no diagnóstico. Isso possibilita tratamentos cada vez mais personalizados, ou seja, que consigam atingir cada pessoa e sua doença da forma mais precisa. O sequenciamento genético permite que seja possível conhecer detalhadamente o tumor, sua evolução e particularidades. Com isso, se torna possível pensar em soluções, inclusive pediátricas, para combater essa doença com menores efeitos colaterais e de forma mais efetiva, melhorando o prognóstico em diferentes casos e tipos de tumores. O cenário de tratamento vem mudando, com a adição de novas alternativas terapêuticas.

Essas inovações trazem impactos positivos na qualidade de vida desses jovens pacientes oncológicos. “A análise genômica é uma das alternativas que vem sendo usada, inclusive em casos de tumores pediátricos, com bons resultados para a leucemia, o mais comum entre as crianças e adolescentes, e outros tipos de tumores que afetam essa parcela da população. Esse conhecimento científico avançado oferece um novo horizonte para a assistência integral, completa e totalmente individualizada, que respeita as necessidades e a história de vida de cada indivíduo”, pontua o líder da especialidade. Por estarem na fase de transformações, os tumores que atingem crianças e adolescentes também se comportam de forma diferente.

Na maioria dos casos, os tumores nessa primeira fase da vida são constituídos de células indiferenciadas, o que permite uma melhor resposta aos tratamentos. As chances de cura, a subsistência com resposta positiva, e a qualidade de vida são maiores quanto mais precoce e preciso for o diagnóstico, pois apenas com essas informações é possível determinar o tratamento mais efetivo para aquele paciente. Sidnei Epelman destaca os principais tipos de câncer que afetam esse público. Leucemia: tipo de câncer mais comum na infância. Linfomas no sistema linfático. Neuroblastoma: tumor de células do sistema nervoso periférico; e retinoblastoma: tumor na retina, ou seja, o fundo do olho. Há ainda o tumor no cérebro.

Reportagem: Euclides Éder

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