Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

Segundo a Cemig, no período seco, acidentes de origem elétrica ocorrem mais

Os acidentes por choque elétrico continuam tirando a vida de centenas de pessoas, todos os anos. De acordo com dados revelados pelo Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica 2024 Ano base 2023 da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), apenas no ano passado, foram registradas 674 mortes por choque elétrico no país. Na área de concessão da Cemig, a empresa registrou 49 acidentes na rede de distribuição e 16 fatalidades.

Neste cenário preocupante, o Anuário da Abracopel aponta que o setor de construção lidera o ranking de mortes por choque elétrico com 115 vítimas fatais em todo o território nacional.  No estado de Minas Gerais, as ocorrências desta natureza provocaram sete mortes, cinco fatalidades foram registradas com profissionais que faziam serviços em telhados e dois acidentes fatais ocorreram na realização de pintura de fachadas. Abracopel acredita que os números reais possam ser até, três vezes maior.

Foto: Arquivo

Nem todos os incidentes são registrados. Para conscientizar os profissionais da construção e manutenção, a Cemig realiza campanhas rotineiras em canteiros de obras para alertar sobre os perigos de acidentes. Além disso, o fim do período chuvoso é propício para que a população realize reformas ou construções. Desta forma, para evitar ocorrências com a rede elétrica, a Cemig alerta para os riscos de acidentes com a eletricidade. Observar a distância da obra com a rede elétrica é primordial.

“Os profissionais da construção devem ter a máxima cautela ao lidar com a rede de média tensão, pois o mero contato indireto pode resultar em danos graves. A simples proximidade com a rede de distribuição pode ocasionar um choque de até 13.800 volts, resultando em queimaduras severas e, em casos extremos, em fatalidades. Em muitos casos, apenas a aproximação com a rede pode causar ocorrências”, alerta o técnico de Segurança do Trabalho, Jordano Eduardo do Nascimento.

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O grande risco de acidentes na construção civil é relacionado com as tarefas realizadas na mesma altura da rede de média tensão, como a reforma de telhados e construção de segundo e terceiro pavimentos, por exemplo. Desta forma, é fundamental que seja observada a distância de, pelo menos, 1,5 metro em relação à rede de distribuição. Os profissionais que utilizam cabos de rolo de pintura feitos de alumínio ou de outros materiais condutores de eletricidade também devem ser bem cautelosos na hora do manuseio.

Cabos de madeira também conduzem eletricidade ao aproximar da alta tensão e expõem as pessoas ao mesmo risco. “É importante ressaltar que a utilização de equipamentos de proteção individuais e coletivos para impedir a queda de nível para trabalhos em altura também são indispensáveis. Boa parte dos acidentes com a rede elétrica é provocada pela queda e não pelo choque em si, inclusive as fatalidades. Por isso, é preciso ter toda atenção com este tipo de trabalho”, explica Jordano Eduardo.

Foto: Arquivo

Para evitar acidentes dessa natureza na rede de distribuição, a Cemig ressalta que antes de realizar obras ou reformas é necessário realizar uma Análise Prévia de Riscos (APR), que deve observar os acidentes elétricos. “Essa é uma recomendação prevista na NR-10 e também na ABNT NBR que trata de Segurança em Eletricidade e que faz recomendações e orientações para o trabalho seguro com a eletricidade. É um procedimento simples e que pode salvar a vida de muitos profissionais do setor”, destaca o especialista.

Jordano Eduardo do Nascimento ainda ressalta que a previsão da localização da rede elétrica na Análise Prévia de Riscos é essencial para se evitar acidentes de origens elétricas. “É fundamental observar a localização da rede de distribuição para que os serviços sejam realizados com segurança. Em alguns casos, é necessária a instalação de barreiras protetoras para garantir o manuseio seguro de vergalhões, tábuas, canos e outros materiais”, afirma o técnico de Segurança da Cemig.

Reportagem: Euclides Éder

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