Psiquiatra Arthur Lobato. Foto: FSFX

O início do ano costuma trazer uma mistura intensa de expectativas, cobranças e sentimentos contraditórios. Enquanto muitos enxergam janeiro como um período de recomeços e novas oportunidades, para outras pessoas ele se torna um momento sensível para a saúde mental. A pressão por mudanças imediatas, o peso das metas não alcançadas no ano anterior e as comparações constantes acabam abrindo espaço para a ansiedade, a frustração e a sobrecarga emocional. Segundo o médico psiquiatra da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), Dr. Arthur Lobato, existe uma cobrança cultural muito forte para que o ano comece com grandes transformações.

“Essa expectativa gera uma ansiedade considerada natural, mas que pode se intensificar e provocar sofrimento logo nos primeiros meses. A sensação de não estar correspondendo ao que se espera, seja do ponto de vista pessoal ou social, impacta diretamente o bem-estar emocional e pode comprometer a qualidade de vida. Mudanças hormonais, dores físicas, irritabilidade, prejuízos no sono e dificuldades nos relacionamentos são alguns dos sinais de que a mente está sobrecarregada. O corpo, nesses casos, responde como um alerta de que algo precisa de atenção”, relata o profissional. A campanha “Janeiro Branco” ganha ainda mais relevância ao propor uma reflexão necessária sobre o cuidado com a mente.

Segundo Dr. Arthur Lobato, o diálogo aberto sobre saúde mental é apontado como um dos caminhos mais importantes para romper preconceitos e tabus. “Falar sobre sofrimento psíquico ajuda a normalizar experiências humanas comuns e reforça que ninguém enfrenta essa dificuldade sozinho. Além disso, contribui para desconstruir a ideia equivocada de que transtornos mentais são resultado de fraqueza ou falta de caráter, fortalecendo uma cultura de empatia e acolhimento. Alterações no apetite e no sono, irritabilidade constante, desânimo persistente, perda de interesse por atividades antes prazerosas e tendência ao isolamento social não devem ser encarados apenas como cansaço passageiro”, alerta o médico especialista da FSFX.

O autocuidado também desempenha um papel essencial na preservação da saúde mental e pode ser incorporado de forma simples à rotina. “Não é necessário dispor de longos períodos livres para isso. Respeitar o horário de sono, aprender a estabelecer limites, fazer pequenas pausas durante o trabalho para alongar o corpo, relaxar ou se desconectar por alguns minutos são atitudes que ajudam a reduzir o impacto do estresse diário. Não existe saúde plena sem saúde mental. O cérebro comanda todo o funcionamento do corpo e, quando não está em equilíbrio, todo o organismo sofre as consequências. Cuidar da mente é tão essencial quanto cuidar do corpo e deve ser prioridade ao longo de todo o ano”, pontua Dr. Arthur Lobato.

Reportagem: Euclides Éder

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