Dra Mylian Mara Moreira Gomes.Foto: FSFX

Caracterizada pelo acúmulo de gordura corporal, a obesidade pode acarretar graves problemas de saúde e levar até a morte. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem cerca de 27 milhões de pessoas consideradas obesas. Somando o total de indivíduos acima do peso, o montante chega a quase 75 milhões. Em alusão ao Dia Mundial da Obesidade, celebrado nesta segunda-feira (4), a Fundação São Francisco Xavier (FSFX) reforça a importância de falar sobre a prevenção, os cuidados necessários e o tratamento a doença crônica, que leva as pessoas a viverem menos e sem qualidade de vida.

Segundo Milyan Mara Moreira Gomes, médica endocrinologista da FSFX é necessário falar sobre essa doença crônica, trazer informações seguras, incentivar o tratamento adequado, baseado em evidências. “É importante que o portador de obesidade saiba que existem estratégias e equipes para acompanhamento e tratamento correto. Que eles não estão sozinhos! O tratamento deve ser realizado com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, tem como base uma alimentação saudável e atividade física, gerando balanço energético negativo: consumir menos energia do que se gasta”, disse a especialista.

A obesidade tem causa complexa, mas somente ocorre quando há predisposição genética. Essa vulnerabilidade biológica, que é muito comum na população, e o padrão alimentar atual da sociedade promovem a epidemia de obesidade. De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2023, a incidência da obesidade global deve apresentar um crescimento exponencial nos próximos anos. “É importante alertar que o obeso tem mais propensão a desenvolver problemas como hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes, problemas físicos, artrite, cansaço, refluxo, tumores de intestino e pedra na vesícula”, ressalta a médica.

A frequência de obesidade é semelhante em homens e mulheres. Apenas no Brasil, a previsão é de que, até 2035, 41% da população adulta conviva com a doença. A obesidade causa, ainda, danos psicológicos, acarretando diminuição da autoestima e depressão. “Uma curiosidade é que está comprovado que relacionamentos sociais e romances são menos frequentes entre obesos, já que eles saem menos de casa devido à diminuição da autoestima. Agora, uma vez existindo, a obesidade pode interferir no relacionamento sexual. Ela está relacionada à redução da testosterona, o que pode levar a redução de libido e a problemas de ereção nos homens,” disse a endocrinologista.

Nas mulheres, existe uma redução dos níveis de hormônio e aumento no nível dos masculinizantes, e podem apresentar aumento dos pelos, irregularidade menstrual e infertilidade. “Ter uma alimentação saudável, baseada em alimentos in natura, atividades físicas, controlar o excesso de sal e açúcar, sono adequado, beber pelo menos dois litros de água ao dia, e evitar bebidas alcoólicas, são algumas dicas para a prevenção e controle da obesidade. É fundamental o obeso monitorar a pressão arterial regularmente, controlar o colesterol e fazer exames preventivos de doenças cardiovasculares”, alerta a especialista da FSFX.

Reportagem: Euclides Éder

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