André Viana. Foto: Alan Henrique

Na reunião do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema), nesta quinta-feira (12), André Viana, presidente do Sindicato Metabase, destacou a relevância do pedido de anuência da Vale para reaproveitar rejeitos minerais acumulados em suas barragens e diques. Para ele, trata-se de uma decisão estratégica para o futuro da cidade. “É uma das decisões mais importantes dos últimos anos, e mais importantes na história de Itabira”, revela ao defender o reaproveitamento dos insumos com alto teor mineral, como forma de sustentar a exploração circular, gerando empregos e tributos, sem negligenciar da segurança para os moradores e preservação ambiental.

O sindicalista também defendeu o projeto como modelo transformador, com ganhos socioeconômicos, ao propor eliminar estruturas de barragens instaladas no meio-ambiente. Segundo os dados apresentados pela Vale, o plano de reaproveitamento prevê a retirada de cerca de 5,1 milhões de toneladas por ano, com teor médio de ferro de até 37%, o que viabiliza sua utilização no processo produtivo. Esse projeto prevê desenvolver a exploração nas estruturas das barragens de Conceição e Rio de Peixe, assim como os diques Minervino e Cordão Nova Vista, além das cavas do Onça e Periquito.

Foto: Alan Henrique

O transporte até a usina Conceição será por dragas e tubulações, partindo das barragens de Rio de Peixe e Conceição. Na usina Cauê, será por caminhões, entre o dique Minervino (Pontal) em trajetos majoritariamente internos, percorrendo pequeno trecho (500m) até a rotatória de acesso à planta de beneficiamento, sem passar por ruas dos bairros vizinhos. A disposição final do material que não será reaproveitado ocorrerá em pilhas a seco. O novo ciclo não demanda ampliar as usinas. Os dispositivos serão readequadas para o novo processo produtivo, com avanços tecnológicos e ambientais.

“Estamos diante da destinação de rejeito rico, que pode assegurar manutenção e até geração de novos empregos, produtos e receitas para o município. É uma oportunidade de eliminar estruturas que atualmente representam risco e medo para a população, como vimos nas tragédias de Mariana e Brumadinho”, defende André Viana, ao comentar o projeto com a imprensa. O conselheiro também relacionou a atividade ao anúncio do que chamou de “hibernação temporária” da usina do Cauê, período em que a produção neste complexo será concentrada nas duas usinas de Conceição.

Foto: Alan Henrique

“Essa decisão tem ligação direta com a readequação da usina Cauê, que será novamente paralisada a partir de julho deste ano, para permitir o reprocessamento do rejeito filtrado. Essa técnica, já adotada pela mineradora, elimina a necessidade de disposição em barragens e inaugura modelo de operação mais seguro e sustentável”, explica André Viana. O reaproveitamento dos rejeitos minerais pela mineradora representa grande avanço tecnológico e ambiental, pois garante a continuidade da produção mineral da Vale em Itabira, no modelo de mineração circular.

O projeto proposto pela empresa na reunião do Codema, prevê a retirada anual de milhões de toneladas de material. “Estamos diante de mudança estrutural no complexo de Itabira, depois de 84 anos. Aquilo que antes era visto como problema, e agora pode ser transformado em receita, além de eliminar barragens que tanto assustam a população. Com a manutenção de postos de emprego, aumento de vagas, arrecadação de impostos e eliminação das barragens. Temos a chance de construir uma mineração sem risco”, comemora o conselheiro do Codema.

Foto: Alan Henrique

Ainda segundo o líder sindical e conselheiro, trata-se de um sonho: a mineração que não dependa mais de barragens e que traga segurança para a cidade, reforçando que o Sindicato é favorável ao projeto, desde que sejam feitos os ajustes necessários nas demandas da comunidade. “A pauta está aberta. O Sindicato Metabase, uma vez ajustado e analisando o projeto, é favorável! Mas esperamos que a Vale responda às dúvidas e promova os ajustes necessários. Cobrei dos representantes da empresa para responderem os questionamentos”, aponta.Apoiando a presidente do Codema, Elaine Mendes, André Viana afirmou que não vê necessidade de realizar reunião pública antes da aprovação da anuência, desde que a Vale responda a todos. “Que a Vale não deixe nenhum sem resposta. Isso eu vou cobrar na próxima reunião, para que a aprovação da anuência ocorra com todas as questões levantadas pelos moradores sejam esclarecidas e equacionadas desde já. É essencial haver contraposição, discordância e ajustes. Só assim teremos uma decisão madura e transparente, à altura da importância que esse projeto tem para Itabira,” conclui o sindicalista.

Reportagem: Euclides Éder

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