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Crédito: Reprodução/Veja

Enquanto o Brasil discute a aceleração da educação em tempo integral com o novo Plano Nacional de Educação (PNE), Minas Gerais apresenta um cenário incomum de descontinuidade. Dados do Censo Escolar 2025 revelam que o estado, que já esteve mais avançado na implementação do Ensino Médio Integral (EMI), sofreu uma queda expressiva na oferta de vagas e escolas nos últimos três anos, sinalizando uma perda de prioridade política que pode reduzir as oportunidades para o futuro dos jovens mineiros. Em 2022, Minas Gerais possuía 50% de suas escolas oferecendo o modelo integral. Em 2025, esse número caiu para abaixo de 32%.

O mesmo padrão de queda é observado nas matrículas: o Estado saiu de um patamar de 21% dos alunos em tempo integral para apenas 15% no mesmo período. O movimento de Minas Gerais caminha na contramão da tendência nacional e acende um alerta sobre o aumento das desigualdades educacionais dentro do Estado. Em todo o país, o EMI tem se consolidado cada vez mais como uma das políticas mais potentes de redução das desigualdades no país, entregando uma diminuição no abandono escolar e, consequentemente, o aumento de perspectivas mais positivas e novas chances para os jovens brasileiros sonharem mais alto sobre o seu futuro.

Evolução do EMI em Minas Gerais2022202320242025Meta até 2031Meta até 2036
Oferta de Escolas (EMI)50,40%29,50%32,20%31,60%50%65%
Matrículas (EMI)21,40%13,20%14,40%15,60%35%50%

Estão sendo registradas reduções nos índices de violência, saúde reprodutiva e equidade de gênero, e acesso ao mercado de trabalho. Houve crescimento de 10% nas matrículas no EMI, que geram em média, aumento de 3% nos empregos no setor formal, com impacto racial relevante: para estudantes pretos, pardos e indígenas, o efeito na geração de empregos é três vezes maior (4,5%) em comparação aos estudantes brancos e amarelos (1,5%). O benefício socioeconômico da política é seis vezes maior que o custo e, estima-se que os valores de remunerações recebidas ao longo da vida produtiva de um jovem estudante que tenha acesso ao EMI será R$ 64 mil a mais.

Recentemente, foi aprovado o novo PNE norteando políticas públicas pelos próximos 10 anos. O plano define o ensino integral como política estruturante e estabelece metas claras para a universalização da oferta. Para Minas Gerais, o desafio da próxima década não é apenas crescer, mas recuperar o espaço perdido e reverter a lógica de descontinuidade que se instalou na rede pública. Para retomar o crescimento, Minas Gerais pode se espelhar em Estados que mantiveram a constância política, como Pernambuco (63% de oferta e berço da política) e Ceará (75% de oferta), ou no Piauí, que alcançou 100% de oferta em apenas quatro anos.

Reportagem: Euclides Éder

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