Imagem: Pvproductions via Magnific

O avanço dos golpes digitais e da violência financeira contra pessoas idosas reforça a necessidade de ampliar a proteção desse público. No Brasil, mais de 59 mil denúncias de violência patrimonial envolvendo pessoas com 60 anos ou mais foram registradas pelo Disque 100 em 2025, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. Somente no primeiro semestre de 2026 foram contabilizadas cerca de 24 mil denúncias.

Os números incluem diferentes formas de abuso financeiro, entre elas golpes, apropriação indevida de benefícios e uso não autorizado de recursos. “A principal proteção é a prevenção: nunca fornecer senhas ou códigos, desconfiar de pedidos urgentes de dinheiro e confirmar qualquer solicitação antes de realizar pagamentos”, orienta Maria Laura Vargas, advogada e professora do Centro Universitário Una.

No Dia da Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro, o cenário chama atenção para a importância da prevenção, especialmente no ambiente digital. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou fragilidades no enfrentamento aos golpes digitais contra idosos. A fiscalização apontou problemas na identificação de chamadas fraudulentas, na prevenção de crimes e na resposta das instituições financeiras.

O levantamento destacou que a maior utilização da internet por idosos precisa ser acompanhada por mecanismos de segurança e campanhas educativas permanentes. Entre as fraudes estão mensagens enviadas por criminosos que se passam por familiares, falsas centrais de atendimento bancário, ofertas fraudulentas de empréstimo consignado e solicitações de atualização cadastral por meio de links suspeitos.

Em muitos casos, os golpistas utilizam informações pessoais e criam situações de urgência para convencer a realizar transferências ou compartilhar dados confidenciais. Além dos prejuízos financeiros, as vítimas podem enfrentar constrangimento, insegurança e receio de revelar o ocorrido. Esses sentimentos podem dificultar a busca por soluções e permitir que os criminosos continuem agindo.

“Uma orientação muito importante é não ter vergonha de contar que caiu em um golpe. Quanto mais rápido a vítima procurar ajuda e comunicar a instituição financeira, maiores são as possibilidades de evitar novos prejuízos e tentar recuperar os valores”, destaca a advogada e docente da Una. Em situações de fraude o primeiro passo é entrar em contato com o banco pelos canais oficiais, comunicar o ocorrido e solicitar bloqueios.

Deve-se registrar um boletim de ocorrência e preservar mensagens, comprovantes de transferência, capturas de tela e números de protocolo. Importante pedir ajuda a algum familiar ou alguém que confie para acessar os canais competentes para resolução do problema. Nos golpes envolvendo Pix, a vítima pode solicitar ao banco o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), com pedido deve ser apresentado em até 80 dias.

O procedimento pode rastrear e bloquear recursos em contas relacionadas ao golpe, mas a recuperação do dinheiro depende da análise do caso e da disponibilidade de valores. Dependendo das circunstâncias, também é possível avaliar medidas para contestar cobranças fraudulentas e buscar a responsabilização das instituições envolvidas, especialmente quando existem indícios de falha na prestação do serviço.

Reportagem: Euclides Éder

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