Ano novo com a vida financeira nos trilhos. Para entrar em 2026 no azul, é preciso começar agora

Imagem: Freepik
Especialista dá dicas práticas para ajudar na virada das contas
O ano caminha para o fim e muita gente já começa a fazer planos para 2026. Entre as resoluções mais buscadas pelas pessoas, segundo um levantamento realizado na internet, estão: a busca por uma vida saudável, a organização financeira e melhores condições de bem-estar no cotidiano. A gestão das finanças pessoais é um pilar fundamental para o alcance das demais metas, pois destinará os recursos necessários para o desenvolvimento da saúde e do bem-estar. De acordo com Marcela Torres, líder da XP em Minas Gerais, esse período traz uma verdadeira avalanche de gastos extras e é preciso se planejar para não perder o esforço do ano ou comprometer a renda futura.
“Muita gente chega em janeiro já com o orçamento comprometido e acaba adiando sonhos por meses”, alerta Marcela. “O segredo é planejar: separar o que é essencial, antecipar as contas fixas de início de ano e proteger o dinheiro dos objetivos maiores. Quando a gente organiza antes, o ano novo começa realmente com energia para conquistas, e não correndo atrás de boletos”, completa. O ano começa com contas tradicionais, de janeiro: Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), material e matrícula escolar, além das remanescentes, como as parcelas dos presentes de Natal, viagens e as ceias de réveillon.
Segundo uma pesquisa realizada pelo Serasa neste ano, entre as intenções dos brasileiros para 2025 estavam: pagar todas as contas em dia (49%), fazer um controle do orçamento mensal (38%), economizar um valor do salário todos os meses (29%), investir um percentual da renda mensal (21%) e limitar melhor os gastos com lazer (19%). Mas alguns desafios no primeiro semestre comprometeram o cumprimento dessas metas traçadas pelos entrevistados, como o aumento do custo de vida (29%), o acúmulo de dívidas com cartão de crédito e empréstimos (21%) e gastos inesperados com saúde (13%). A especialista indica que o primeiro passo é fazer uma autoavaliação honesta da vida financeira.
“Abra o aplicativo do banco, pegue uma planilha ou até um caderno velho e liste tudo: quanto entra, quanto sai e para onde está indo cada real. Projete os próximos três meses, já incluindo a segunda parcela do 13º, se ela ainda vai cair. Só assim você enxerga o cenário real e consegue tomar decisões assertivas. Pagar dívida é ótimo, mas se o pensamento continuar sendo ‘depois eu vejo’, em fevereiro você já vai dever de novo. O começo do ano é simbólico exatamente por isso: é o momento perfeito para fazer diferente, para quebrar ciclos viciosos”, explica Marcela Torres. A seguir, a líder da XP compartilha dicas práticas e realistas para quem quer entrar em 2026 com o pé direito (orçamento no azul).
O primeiro passo é saber para onde está indo o dinheiro. Liste todas as receitas e despesas dos últimos 30 ou 60 dias, em um caderno ou planilha simples. Separe em três grupos: essenciais (moradia, comida, transporte), supérfluos (delivery, assinatura, cafezinho) e investimentos. “Muita gente se assusta quando vê que os ‘pequenos gastos invisíveis’ somam R$ 400, R$ 600 por mês”, alerta Marcela Torres. Adote um modelo simples, como o 70/30: 70% para viver o presente (contas e lazer) e o restante no futuro (reserva de emergência). “Comece com 10% da renda guardada por mês e vá subindo. Existem investimentos seguros com liquidez diária, perfeitos para reserva”, explica.
O controle diário evita compra por impulso e mantém o orçamento nos trilhos. “Consumo consciente é educação financeira na prática: ajuste o estilo de vida ao que você realmente pode pagar”, reforça a líder da XP. Direcione o dinheiro que sobra para objetivos reais em três vertentes. Curto prazo (até um ano): Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária; médio prazo (dois a cinco anos): CDBs pós-fixados ou fundos multimercado; e longo prazo: previdência privada (PGBL/VGBL) ou ações/ETFs “Todo sonho tem um investimento certo e a diversificação ajuda a proteger o patrimônio em diferentes cenários”, diz a especialista. Avaliar constantemente: Revise o orçamento todo mês (ou a cada três meses).
Reportagem: Euclides Éder

